Durante a quimioterapia, o paciente enfrenta diversos riscos que envolvem tanto os efeitos colaterais imediatos quanto complicações mais graves. O principal risco é a imunossupressão, ou seja, a redução das defesas do organismo, o que aumenta a vulnerabilidade a infecções, inclusive graves.
Outros riscos incluem:
- Toxicidade hematológica: queda dos glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas, podendo causar infecções, anemia e sangramentos.
- Reações alérgicas ou anafiláticas: podem ocorrer durante a infusão de certos quimioterápicos.
- Complicações gastrointestinais: como desidratação por vômitos ou diarreia intensa.
- Cardiotoxicidade, nefrotoxicidade e hepatotoxicidade: dependendo do fármaco, pode haver lesão em órgãos como coração, rins ou fígado.
- Trombose ou embolia: em alguns casos, há maior risco de eventos tromboembólicos.
- Impacto psicológico: o tratamento pode gerar ansiedade, depressão e alterações na autoestima.
A Importância dos cuidados na quimioterapia
Cuidados adequados antes e durante a quimioterapia fazem toda a diferença na qualidade de vida do paciente. Eles não apenas reduzem a intensidade dos efeitos colaterais, mas também promovem mais conforto físico, bem-estar emocional e segurança ao longo do tratamento.
Com uma boa estratégia de cuidados, é possível prevenir complicações como infecções, desidratação e desnutrição, que podem exigir hospitalização.
Benefícios dos cuidados adequados:
- Controlar sintomas: o uso adequado de medicamentos e o suporte nutricional ajudam a amenizar náuseas, dor, fadiga e outros desconfortos.
- Manter a autonomia do paciente: quando bem assistido, o paciente consegue manter parte de suas atividades diárias e sociais.
- Reduzir a ansiedade e o medo: a informação clara, o acolhimento emocional e o apoio psicológico proporcionam mais segurança e esperança.
- Melhorar a resposta ao tratamento: um organismo bem cuidado tende a responder melhor à quimioterapia e a se recuperar mais rápido entre os ciclos.
Orientações para náuseas e vômitos
Medicações antieméticas devem ser prescritas de forma preventiva e ajustadas conforme a resposta do paciente. Fármacos como Ondansetrona e Metoclopramida e são comumente utilizados.
- Fracionar as refeições, comendo em pequenas quantidades várias vezes ao dia, ajuda a reduzir o desconforto.
- Evitar cheiros fortes e alimentos gordurosos ou muito condimentados pode prevenir episódios de náusea.
- Manter-se em repouso com a cabeça elevada após comer também pode ajudar.
Orientações para diarreia
O uso de antidiarreicos prescritos, como a loperamida, pode ser necessário.
- É fundamental manter uma hidratação constante, com água, água de coco, caldos leves e soluções de reidratação oral.
- Preferir alimentos de fácil digestão, como arroz, banana, maçã sem casca e torradas, e evitar laticínios, frituras e vegetais crus.
- Informar o médico caso a diarreia seja intensa, persistente ou acompanhada de febre, pois pode indicar infecção ou toxicidade grave.
Por Virginia Carina Velloso
Farmacêutica RT – Unidade Itajubá

